Teresa Viana busca a estrutura do espaço

08/2017

Teresa Viana busca a estrutura do espaço
Francesca Angiolillo, 24/04/1999
Folha de São Paulo

Os 19 desenhos que Teresa Viana apresenta a partir de hoje no Escritório de Arte Rosa Barbosa são trabalho de uma busca pela estrutura ele sua linguagem, desenvolvida ao longo dos seis últimos meses.

São obras feitas em lápis aquarelado, sempre preto, e guache, com predominância de uma só cor.

Viana conta que os desenhos foram feitos paralelamente aos trabalhos que apresentou anteriormente - série de encáusticas (pinturas à base de cera e solvente), algimas das quais puderam ser vistas no Paço das Artes em 98.

Filhos de um mesmo desejo criativo, os dois rumos se alimentam, um modificando o outro. Enquanto as encáusticas tinham grandes dimensões e peso, demorando até seis meses para a composição de um único quadro, os desenhos são muito mais ágeis.

"Cada desenho é a fotografia de um momento; as encáusticas são retrato de vários momentos", explica Viana.

Teresa Viana diz que é pintora, mas que explora o desenho para a "elaboração do pensamento visual"; diz também que as diferenças inerentes aos materiais causam aproximações diversas para a questão da "conquista do espaço".

A transparêcia, o monocromatismo dos desenhos o branco do papel, do perspectivas e profundidades muito diferentes do que se obtém com a encáustica.

"O traço joga para dentro; a encáustica é da superfície para fora."

Viana diz que seus desenhos são paisagens, "mas de lugares que não há". Azuis, vermelhas, verdes surgem cidades, pontes e torres.

Mas a artista não quer definir imagens - cada um vê o que vê: dar nome ao que criou limitaria as reflexões que os desenhos podem suscitar, distanciaria o observador da atenção ao traço e à pincelada.